Hoje nasci-me em poesia simplesmente…num acto inconsciente de ser vivo! Palavra por palavra, passo a passo, ideias em sonhos, dispo-me sem pudor nem pena que sinicamente vou cuspindo, assim mesmo, atirando não à cara mas cortando almas que não me sentem.
Hoje não vou ter sentido, mais uma vez sem motivo de o fazer seco e puro. Delicio-me só por este acto imaculado de preencher pequenos conceitos com adjectivos que soam tão doces e sonoros. Sinto linguagens a percorrerem-me, espíritos a devorarem…são fantasmas que não me parecem existir senão no ego-centro que estou a reflectir neste vómito de pensar.
Acredito sinceramente que esta falta de coerência crónica, me escapa para (o) além de todos os quereres…
Quando escrevo sou levado por esta corrente forte que me vai atirando pensares contra o papel, na esperança vã que horas mortas não levem toda a minha existência para o mar “esquecimento”. Esta é a imagem que me trespassa: estou-me a diluir no tempo sem antídoto…sinto a raiz do nada em mim.