segunda-feira, 13 de outubro de 2008

4.


Hoje nasci-me em poesia simplesmente…num acto inconsciente de ser vivo! Palavra por palavra, passo a passo, ideias em sonhos, dispo-me sem pudor nem pena que sinicamente vou cuspindo, assim mesmo, atirando não à cara mas cortando almas que não me sentem.
Hoje não vou ter sentido, mais uma vez sem motivo de o fazer seco e puro. Delicio-me só por este acto imaculado de preencher pequenos conceitos com adjectivos que soam tão doces e sonoros. Sinto linguagens a percorrerem-me, espíritos a devorarem…são fantasmas que não me parecem existir senão no ego-centro que estou a reflectir neste vómito de pensar.
Acredito sinceramente que esta falta de coerência crónica, me escapa para (o) além de todos os quereres…
Quando escrevo sou levado por esta corrente forte que me vai atirando pensares contra o papel, na esperança vã que horas mortas não levem toda a minha existência para o mar “esquecimento”. Esta é a imagem que me trespassa: estou-me a diluir no tempo sem antídoto…sinto a raiz do nada em mim.

domingo, 12 de outubro de 2008

3.


Sentes? Sentes a tristeza a cravar-te na carne com grandes garras de desespero? Custa-te encher o peito de coragem? Para onde será que levas esse corpo carregado de tudo? Eu sinto-te. Vejo-te. Esvazio-te. Neste instante és minha...consumo a tua nuvem, ajudo-te a respirar. Envio-te amor em envelopes, vai no correio desta manhã agitada por outros trasiuntes. A carruagem não para e os carris são um percurso marcado com cheiro a destino...mas não ligues. Afasta tudo com um encolher de ombros. Sai desta estação e sente a liberdade a beliscar-te o espirito, a sussurar que és o capataz nesta quinta enorme. Lá fora não reina o medo e a dor...lá fora, estás lá fora, e isso é um estado perfeito. Aproveita tudo e agora sai de mim.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

2.


Estou rarefeito de mim, um soluto diluído em solução precária de sentires. Pareço-me com a primeira pessoa de cada verbo que conjugo na segunda enquanto aponto o dedo indicador/indicando! Estas são as imagens de minha alma que já não sonha mas reconhece um triste estado quando o sente… bidimencionalmente: em ego por empatia…esse mesmo monstro que me devora! Eu não quero amar o próximo nem mais do que me desprezo, nem menos do que me amo (completamente) … apenas quero deixar de me dissolver ao me relacionar com a terceira pessoa. Agora estou atómico, indivisível pois sinto que me falta perder a razão de não ser quem pareço!

1.


Quando desço certa rua que sobe, num certo tempo que se caracteriza por si mesmo e pela minha acção de descer, olho-me sem me ver completamente como um nada que termina sozinho e vagueia com o passear. Neste quadro só a rua me fica bem, com o passeio debaixo dos pés que não param sequer para fitar o que fazem, como eu me fito ao pensar em mim mesmo quando o faço…Assim simplesmente um reflexo da acção de fazer algo como vasculhar seu espírito, que neste texto tem a casualidade de ser em parte meu e o resto dos que o querem, e dos que não. Todo este vago estado é febril. Uma doença que me faz perseguir um sonho de percepções vividas em vigílias dormentes, mal-acordadas vidas que me parecem invadir quando quero parecer vivo. Estas sim são as dormências que nos caçam até ao fim-morte e não me convencem que estou acordado a observar este teatro simples e ridículo. Chega a ser trivial este jogo de viver sem gritos, sem consciência de haver e ter um lugar onde quer que seja e que somos queridos e queremos…desejos que não me desejam nem tão pouco se querem desejar…assim sou capaz de te ganhar. Peço perdão pela e à rima pois isto é uma escrita que imagino e ainda não me parece existir em verdades que só habitam em certas zonas deste meu (eu) invadido.