domingo, 12 de outubro de 2008

3.


Sentes? Sentes a tristeza a cravar-te na carne com grandes garras de desespero? Custa-te encher o peito de coragem? Para onde será que levas esse corpo carregado de tudo? Eu sinto-te. Vejo-te. Esvazio-te. Neste instante és minha...consumo a tua nuvem, ajudo-te a respirar. Envio-te amor em envelopes, vai no correio desta manhã agitada por outros trasiuntes. A carruagem não para e os carris são um percurso marcado com cheiro a destino...mas não ligues. Afasta tudo com um encolher de ombros. Sai desta estação e sente a liberdade a beliscar-te o espirito, a sussurar que és o capataz nesta quinta enorme. Lá fora não reina o medo e a dor...lá fora, estás lá fora, e isso é um estado perfeito. Aproveita tudo e agora sai de mim.

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