Quando desço certa rua que sobe, num certo tempo que se caracteriza por si mesmo e pela minha acção de descer, olho-me sem me ver completamente como um nada que termina sozinho e vagueia com o passear. Neste quadro só a rua me fica bem, com o passeio debaixo dos pés que não param sequer para fitar o que fazem, como eu me fito ao pensar em mim mesmo quando o faço…Assim simplesmente um reflexo da acção de fazer algo como vasculhar seu espírito, que neste texto tem a casualidade de ser em parte meu e o resto dos que o querem, e dos que não. Todo este vago estado é febril. Uma doença que me faz perseguir um sonho de percepções vividas em vigílias dormentes, mal-acordadas vidas que me parecem invadir quando quero parecer vivo. Estas sim são as dormências que nos caçam até ao fim-morte e não me convencem que estou acordado a observar este teatro simples e ridículo. Chega a ser trivial este jogo de viver sem gritos, sem consciência de haver e ter um lugar onde quer que seja e que somos queridos e queremos…desejos que não me desejam nem tão pouco se querem desejar…assim sou capaz de te ganhar. Peço perdão pela e à rima pois isto é uma escrita que imagino e ainda não me parece existir em verdades que só habitam em certas zonas deste meu (eu) invadido.
sexta-feira, 12 de setembro de 2008
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